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sexta-feira, 8 de abril de 2011

A vida sexual do Pai Natal

Ah ah ah apanhei-vos! Com este título era impossível não vir espreitar este post, não era??

Pensaram : a São passou- se de vez!

Ok. Agora que já vos tenho aqui vou “pregar” um bocadito!

O nosso blog começou por se definir como pertencente a um grupo de crescidos mas com muitos neurónios de miúdos de 12 anos… Parece-me que afinal esses neurónios se foram esturricando ao longo do tempo, na mesma proporção do aparecimento dos cabelos brancos nos homens ( que as senhoras não usam disso…) e das pequenas rídulas das senhoras!

Eu sei que o Paulo anda a 1000%, que a Teresa anda fêta estudante e que a Meguy estudante andou fêta e que a Lena anda a plantar flores e bla bla bla….e que ninguém tem tempo nem pachorra!

Meninas lembram –se quando a gente “pediu emprestado” o carrinho do alcatrão e o levámos para a sede das Guias?? e das tardes passadas a “arrumar” os fardos de palha na patrulha?? e das limpezas no Seminário para acolher os retornados?? e da Migó a fazer passagem de modelos com jarros de plástico ( já na altura gostava de flores, eh eh )
E pessoal, as festas na garagem do Carlos?? e as subidas à Torre por cima do telhado?? e as noites do propedêutico passadas no Liceu ( para ir às aulas , claro)??
E na Afonso III ,o Xico a fazer corridas com o Dazé montados naquelas botas caneleiras que se usavam na altura…?? lembram–se como eles entravam na sala de aula em derrapagem??
E das saída para a praia nas motitas Honda Amigo que espirravam óleo plo tubo de escape e me estragaram uma camisola toda??
Lembram –se concerteza! Destas e de muitas outras mais histórias que não podem ser aqui contadas … o texto ficava muito grande e o Paulo aborrecia-se!!!
Só por isso…

Bem, depois cada um partiu na sua demanda, mar a fora!
Velejámos descontraídos mas energicamente por águas desconhecidas ora tranquilas ora tempestuosas!
Como bons marinheiros a terra regressámos e sentimos necessidade de também à “mixta” regressar!
Com o corpo e o espírito diferente, transportando bagagens diversas e o coração calejado de outras histórias por contar.

E agora?

Será que esta viagem nos transformou tanto que tenhamos receio (embaraço??) de não ser-mos suficientemente bons para nos aprovarem aquilo que escrevemos, aquilo que mostramos…o que partilhamos, de mostrar aquilo que somos, o receio de não correspondermos às expectativas que os outros têm ou tiveram de nós?

Perdemos a espontaneidade a troco duma personagem “adulta e responsável” ou  apenas nos tornámos cautelosos e evitamos possíveis críticas!?
Seríamos assim há 40 anos atrás? Não deveríamos aproveitar este cantinho aqui de “intervalo de vida” para nos “amandar-mos de cabeça” e tornar-mos este espaço naquilo que simplesmente nos apetecer??

 

P.S.1 Sobre o Pai Natal, lamento mas esqueci-me do que vos queria dizer…olhem, fica para a próxima!
 
P.S.2. Acerca da estatística o acesso ao nosso blog é claro que não traduz realmente o interesse que o pessoal tem nele , mas pronto é giro e se calhar os japonesinhos até gostam de ler aquilo que escrevemos.
 
P.S. 3 Atão e o Jantar de Páscoa? Que tal sábado, dia 23?


















quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Não me lembro de nenhum...título

Inspirada no post acerca dos Radiohead e comentário do Nélio acerca do artista parecer que estar a convulsivar e já que tenho andado aqui pesquisar umas coisas sobre a esquizofrenia, aqui vai um breve apontamento para “nossa distração”!
 Os apartes coloridos nada têm de científico, reflectem simplesmente a minha típica e compulsiva tendência de “ajavardar = dizer disparates” quando falo de coisas sérias!

Enfim, de “médico e de louco todos temos um pouco”, right?
 E então, qual é o segredo da criatividade? Um pouco de loucura, talvez?

Parece confuso, mas um grupo de cientistas (de certeza psicólogos sem nada que fazer…) do Instituto Karolinska, na Suécia, dedicou-se a espreitar o cérebro de pessoas sadias (supostamente…) e chegaram à conclusão que, no que respeita à criatividade existem alguns aspectos muito semelhantes aos observados em pessoas com esquizofrenia .

Um grande número de artistas e cientistas devem (supostamente) as suas mentes únicas e criativas à esquizofrenia como por exemplo Vincent Van Gogh e o matemático e economista John Nash . (mas isso vocês todos já sabiam…)

Vai daí, os pesquisadores estudaram alguns cérebros criativos usando técnicas sofisticadas como a Tomografia por Emissão de Pósitrons (esta não sabiam vocês!!) e centraram a sua atenção sobre o sistema de dopamina, neurotransmissor conhecido por estar associado aos sintomas psicóticos ( para além de se meter em assuntos como algumas funções cerebrais como a cognição, a aprendizagem, ou o sistema de recompensa e punição)


Inda aí estás, Paulo?
Aguenta, no fim dou-te um rebuçado!


Concluíram que, quanto mais criativa é uma pessoa, menos moléculas de dopamina se ligam aos neurônios em determinada área do cérebro e menos receptores D2 existem em seu tálamo, tal como acontece nos pacientes com esquizofrenia (Get it?)
Ora, o “tálamo funciona como uma espécie de filtro do cérebro, "peneirando" um sinal antes que este possa chega ao córtex cerebral - sede dos processos ligados ao pensamento racional. Portanto, menos receptores D2 no tálamo provavelmente significará um menor grau de filtragem desses mesmos sinais, produzindo-se assim associações são mais soltas e categorias conceituais mais ampliadas"


"A teoria da dopamina e esquizofrenia vê o distúrbio como uma forma extrema de criatividade"
Ou por outras palavras, menos dopamina - mais pensamento e língua destravada, o que pode dar para os dois lados…
No entanto, se "isso pode facilitar a criatividade, também pode levar a padrões de pensamento desorganizados e anomalias de percepção."


Aí está! O outro lado…não há bela sem senão!
Esta semelhança impressionante oferece uma explicação única para a conexão existente entre as diferentes ideias que uma pessoa criativa usa para resolver um problema, e as associações mentais incomuns ou bizarras que os pacientes com esquizofrenia fazem.

Curiosamente também a distração, tem igualmente sido associada à criatividade!!!
Isto interessa-nos, pois quando nos disserem que estamos distraídos poderemos sempre retaliar dizendo que estamos em profundo processo criativo!!!!


Uma pessoa é considerada criativa quando consegue dar respostas novas e significativas para questões abertas, sem soluções óbvias, em oposição a respostas triviais ou bizarras. Certo?
Então: distrair-nos poderá ser a melhor maneira de resolver um problema difícil de forma criativa!!
Ignorar estímulos irrelevantes ao nosso redor é uma conquista da evolução biológica. Um animal que presta atenção a tudo e caminha pelos prados distraído acaba não percebendo o predador até que seja tarde demais.
Cá para mim, os Australopithecus, deveriam ser uns cuscas e cabeça no ar, o que os levou irremediavelmente à extinção, pois como a “curiosidade matou o gato” e por andarem sempre distraídos com as novidades do game boy e a mandar sms , foram todos papados plos predadores mais esfomeados e atentos .
Os Homo sapiens , espertalhões que nem uns macacos, safaram –se e porquê?
Adquiriram uma capacidade fundamental de se abstrair do ruído inútil e excesso de distrações, fazendo conexões entre os estímulos organizando-os numa percepção consciente. A isto, chamou-se de inibição latente.
Cientistas canadianos mostraram que aqueles que se distraem facilmente, que andam com o “radar ligado” para tudo em seu redor, têm 7 vezes menos inibição latente, mas que são os mais criativos!!


“ O que os distingue da esquizofrenia é a sua capacidade em alternar entre estados do cérebro para exercitar um maior controle cognitivo e realmente reformular e adequar os seus pensamentos à realidade "
Contrariamente, na esquizofrenia essa alternância e controlo não é feita: a distração é excessiva, a inibição latente bastante reduzida e surgem frequentemente as fugas à realidade , os delírios e as alucinções.


Voltando aos Radiohead e aos nossos ídolos musicais da juventude, teremos consciência que as suas grandes criações musicais teriam sido produzidas num estado, digamos, um pouco suspeito de alteração da consciência e sob efeito de “substâncias” que provocariam um GRANDE nível de distração! Digo eu…
 Paulito, “inda tas” aí?
Não?
Perdeste ! Não te dou o rebuçado!
Pronto, terminei a minha “distração”!

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

A culpa é deste gajo!!!!


James Morrison - Please Don't Stop The Rain
Enviado por James-Morrison. - Veja mais vídeos de musica, em HD!
É parvo ou quê??, o gajo!! É muito giro, mas é parvo!!
Pra quê mais chuva???? TOU FARTINHA!!!
Olhem as minhas vistas hoje de manhã . Não são deprimentes!!!???


Até as arvorzinhas tão tristinhas, coitadinhas!!!

domingo, 20 de dezembro de 2009

Deambulando...

Nem sei bem o que faço ainda aqui, a estas horas ou porque é que não vou já a correr para a cama, quando sei que tenho um dia em cheio, a começar cedinho, amanhã. Sem sono, apesar de cansado… Acabei de pensar, de fazer cálculos, rever apontamentos, refazer grelhas e mais grelhas e aplicar fórmulas em outras tantas grelhas para ter uma primeira versão das classificações que vou propor numa das minhas 2 turmas. Parei para respirar fundo, durante o que julguei serem uns segundos, 2 ou 3 minutos no máximo mas, apercebo-me agora, deve ter passado muito mais tempo e acabei de dar por mim a pensar, sem conseguir evitar também uma degradante ponta de auto condescendência e desapontamento pela previsibilidade de tão recorrentes formas mentais... E o grito alto da mudança? E a expressão clara e objectiva de um rumo, para variar?... Nada disso… Mas pronto, como dizia, dei por mim a pensar que, de facto, sempre fui professor. Isto, dito muito objectivamente, sem qualquer pretensão a nada mais do que aquilo que realmente significa, afinal, em boa verdade, tenho eu próprio aprendido todos os dias com os alunos a interpretar e entender comportamentos deste bicho homem e a entender-me melhor a mim próprio também, a decifrar mecanismos comportamentais muito específicos associados ao crescimento, que me tinham ficado menos claros, numa ou noutra altura, no passado que, agora, vou percebendo. Fascinante. Afinal quem é professor de quem? Isso seria outra conversa. Aliás, que pretensão superior poderia haver em ser-se professor? Com a objectividade e convicção absoluta da constatação de um facto, declaro que sou professor, por natureza. Depois penso que afinal queria ter estudado medicina e que foram as notas que me mandaram para professor. Então afinal parece ter sido o recurso possível. Bem, o facto é que gosto de ensinar, dá-me prazer, é-me gratificante levar os alunos a compreender as coisas mais difíceis. Já não tenho idade para falsas modéstias, conheço-me suficientemente para saber que sou bom professor. Pareço snob, é verdade, um cagão do caraças mesmo, mas que se lixe. Para que haveria de dizer que não sei se sou bom professor, que isso cabe aos outros ajuizar e mais não sei quê, quando, na verdade, sei muito bem que sou bom professor, que consigo despertar nos alunos interesse pela minha disciplina e levá-los a entender o que têm que entender. E mais, na verdade acho que me é difícil reconhecer na maioria dos outros, professores, colegas, hierarquias, a capacidade para me avaliar, em 2 ou 3 vezes que fossem assistir a aulas, minhas, assim, desgarradas, lá pelo meio do ano, perfeitamente descontextualizadas. É grave, eu sei... Não me julgo superior, longe disso na verdade, mas acredito que a avaliação de um professor cabe essencialmente a si próprio. Bem, a si próprio …e a todos. Mas a mensurabilidade (grelhas e palhaçada toda associada: documentos/instrumentos, bah! riscos gigantescos de injustiça!), não me convence nem um pouco, nunca me convenceu... Eu sei se os alunos perceberam o que lhes ensinei e até que ponto o perceberam. Sei se foi graças a mim que este ou aquele aluno progrediu e quanto o fez. Recebo, em cada aula, o feed-back que, a todo o momento, os alunos, mesmo sem se aperceberem me dão, do meu desempenho. Como é que vão avaliar os professores com base em grelhas? Com base em momentos determinados… Com base em critérios estanques e demasiado objectivos. E a parte subjectiva do processo de transmitir conhecimentos, tão representativa, onde fica? Como é avaliada? Aquela parte, diria insubstituível, que, na verdade, todos quanto somos professores sabemos, reconhecemos e identificamos nos colegas… Afinal, em cada escola, praticamente toda a gente sabe quem é bom professor e quem é menos bom… Ninguém se baseou em grelhas para essa avaliação. Apenas se sabe. É algo intuitivo, faz parte da nossa capacidade, enquanto seres humanos, de entendermos o outro. Podemos enganar-nos, claro, faz parte. Enganarmo-nos, reconhecer e corrigir. Ser professor é isso também, é ser-se pessoa e usar das nossas capacidades intuitivas. Aliás, era assim que devíamos privilegiar a avaliação dos nossos alunos, como já o fizemos, em tempos. Claro que cairia o Carmo e a Trindade só de alguém se atrever a sugerir tamanho despropósito. Então agora íamos andar para trás, onde é que isto já viu?! E as nossas ricas grelhas? Avaliar os professores passa muito por aí também, afinal nós até sabemos como é, intrinsecamente sabemos avaliar os alunos. As grelhas são então completamente inúteis? Talvez não completamente. Há quem se sinta mais apoiado e quem estruture melhor a sua justificação para penalizar, recompensar ou para se sentir justo na classificação a atribuir. Por mim, grelhas, apenas como registo de classificações de frequência, à medida que vão sendo obtidas e só para não me esquecer delas. Mas pactuo, cúmplice da palhaçada, acabei de usá-las para obter as notas do 1º período… Mas que carga de trabalhos! O que diabo é então ser-se um bom professor? Quanto a mim, por um lado, é conseguir chegar ao aluno e levá-lo a sentir a necessidade de estudar e de se aplicar. Não é estudar por ele. Não é facilitar. Estudar é difícil, dá trabalho e é assim que deve continuar a ser, difícil e trabalhoso. Nem todos chegam ao fim, claro que não, temos pena. Mas é assim que deve ser. Esses, os que não chegam ao fim nesse tipo de estudos poderão tentar outro tipo, poderão rever o seu percurso e as suas escolhas escolares. Ou fazer outras coisas na vida. Vou ser crucificado. Coitados, eles não têm culpa, têm estado a ser mal aconselhados desde que nasceram. Pensam que têm obrigatoriamente que ser médicos ou engenheiros. Eles e os seus paizinhos, obviamente. Até podiam ser tão positivos esses cursos alternativos, os tais, profissionais. Afinal funcionava bem a antiga escola comercial. Mas infelizmente, …valha-nos Deus! Que palhaçada monumental! Profissionais, tecnológicos, CEFs e toda essa montanha de disparates do faz de conta! É como as tais disciplinas, igualmente vergonhosas, as Formações Cívicas, Áreas de Projecto, Estudo Acompanhado… Verdadeiros atentados que permanecem. O Estudo Acompanhado até poderia fazer algum sentido, se os alunos tivessem um horário muito poucochinho ou se o ministério da educação nadasse em dinheiro, depois de ter satisfeito todas as necessidades em material, equipamento e infra-estruturas das escolas, como é óbvio. Ser um bom professor, por outro lado e essencialmente, é gostar-se muito do que se faz, de ensinar, de se relacionar, de conseguir estabelecer e manter uma relação de empatia com os alunos. Tão redundantemente óbvio. Passa também por ter boa figura, dizia a minha orientadora de estágio, sim, boa figura, há que dizê-lo, é a verdade, dizia ela, afinal da vida faz parte também alguma futilidade. E uma boa dicção também, uma voz que se ouça bem, canora, cativante. Mas hoje em dia perco-me, perco-me completamente, no meio das atribuições e de tudo o que vejo ser esperado, como se fosse muito natural, dos professores, e que me retiram completamente o prazer, retiram-me a motivação, cansam-me tremendamente… até à exaustão. Se pontualmente, num ou noutro ano, tenho dado explicações, é aí que sim, me realizo novamente, onde me entrego aquilo que me dá gozo, o explicar e tornar a explicar, uma e outra vez …até me fazer perceber. Recebi hoje, do meu director, o formulário para definir os objectivos individuais para este ano lectivo, em grelhas e mais grelhas. Deixam-me tão triste, estas coisas… Tal como deixam triste e prisioneiro as grelhas que acabei de usar para obter as minhas propostas de classificação para os alunos. De cada vez que registo lá qualquer coisa, seja o que for, sinto-me a confirmar a minha condição de valente incapacitado, qual refém que naquelas grelhas se assume e se reduz a toda a sua incompetência e inabilidade para conseguir, apenas porque assim ajuizou, dar uma nota razoável a um aluno. Que tristeza, mesmo…

E os pais? Gente tão especial, essa, cuja maioria não se enxerga. Os meninos não têm sucesso? Culpa do professor, naturalmente! O desgraçadinho, filho do arrumador de automóveis, nem tem luz à noite em casa para poder estudar e o raio do professor só marcou 2 horas por semana para lhe dar apoio, fora das aulas. Não chega, claro, tem que marcar mais! Quero lá saber onde é que vai arranjar tempo! É o professor isto, é o professor aquilo, o professor não fez, o professor foi muito duro com o menino, o professor implica com ele, isso não se faz, como é que a criança agora se vai sentir, querem lá ver que se calhar já nem pode falar, ora essa, e depois dizem que o miúdo não participa. Não o deixam falar! Que raio de professores! Ó filho, se isso acontecer mais alguma vez, tu diz-me! Diz-me e quem vai resolver isso é a mãe e o pai! Um professor não tem o direito de falar assim! Era só o que faltava, o meu filho ali aflito e não ia à casa de banho, isso é que era bom! Vais e vais mesmo! Quem é que ele se julga? É por isso que isto está como está! E sabendo perfeitamente que a criança mora longe, todos os dias lhe marca falta de atraso… francamente! Nem comer o miúdo pode, com as filas, os outros passam-lhe à frente e ele é o último a ser atendido. A ele ninguém lhe tira o café no intervalo! Eu vou mas é fazer queixa para a Direcção Regional de Educação! Ele há-de ver quem é que se fica a rir!


Enfim… e por aí fora.

Espera-se que o professor trabalhe e trabalhe e trabalhe, horas a fio, na escola, em casa, aos fins-de-semana, nos feriados, nas interrupções lectivas. Já o faz, sempre o fez. E a família? E os amigos? E a necessidade de estar, conviver, socializar, divertir-se, não fazer nenhum, estar espojado no sofá, ouvir música o tempo que apetecer, ler, brincar, amar, amar, amar, ui, amar muito… sacrificado por mil e uma razões associadas ao trabalho. Fogo, não pode ser. Sempre achei que devemos dar o melhor de nós, empenharmo-nos ao máximo, em cada momento, na nossa vida, no nosso trabalho, em tudo em que nos envolvermos. Tento, fazer isso. Mas o trabalho não pode tomar o lugar, cumulativo, de todos os outros aspectos da vida. Sempre me iludi, pretendendo ter isso em atenção. Teórico! Este ano, talvez… E isso está muito errado, terrivelmente errado, não deve, não pode de todo ser assim. Bem, isto para não falar da história da educação sexual que agora também é suposto o professor fazer. Nós queremos lá saber se o professor é de Matemática ou de Geometria Descritiva ou de Alemão e que tenha estudado e adquirido competências válidas e únicas para ser bom a desempenhar essa função. Ele tem é que ser um Educador! Tem que dar educação sexual, ponto final! E mais, 12 horas por ano! Sorrio… Eu, sou professor de Biologia! Ponto final (digo eu!). Enfim, não sei se ria, se chore…


Desculpem, embalei e por momentos esqueci-me que estava a escrever no blogue, neste nosso espaço tão fixe que não tem culpa nenhuma destas pequenas grandes revoltas e frustrações e cá estão vocês a levar comigo… Desliguem, passem à frente, não leiam, borrifem-se para isto e mandem-me já ir dar uma curva. Vou já. Não era nada disto que tinha pensado partilhar convosco, quando pensei que queria vir aqui escrever qualquer coisa, in the front page, onde a espuma da timidez se derrete como aquela onda que nos chega aos pés e nos percorre os sentidos num arrepio onde a insegurança afinal nunca existiu. É a convicção absoluta de algo e a vertigem única que lhe está associada, o que sentimos. O que eu sinto, agora, é sono, finalmente. Vou-me embora… Tão cedo não volto a estes delírios fora de horas, fica a promessa. No fundo, apenas o que queria ter-vos dito era aquilo que já sabem, que me sinto em casa, convosco, daí a ousadia de vos ter dado semelhante seca. Tenho, entre muitos, este defeito terrível, que há muito combato, de ser assim para quem me está mais próximo. Forma estranha, egoísta …mas de amar.


Um lugar mágico, maravilhoso, que me viu crescer. A água aqui é quente, sai a 96ºC da nascente, logo ali acima... Quis mostrar-vos :)

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

uma ida ao cinema antes do Natal

Antes de comemorarmos, com verdadeira alegria, o Natal, evocando o nascimento de Jesus Cristo, aconselho uma ida ao cinema ver o filme "Ágora". Uma visão (bastante bem documentada) sobre o cristianismo por volta de 390 d.C. na cidade de Alexandria. O filme centra-se na figura, verídica, da filósofa (matemática) Hipátia (Hypatia).
O filme é do realizador Alejandro Amenabar (que igualmente fez "Mar Adentro).

Partindo duma situação de há muitos séculos atrás é possível ver nesta obra uma profunda, e inquietante, visão da contemporaneidade marcada pelos conflitos inter-religiosos e civilizacionais. O comentário mais curto, e irónico, que me apetece dizer a propósito do filme é "Os cristãos são uns gajos porreiros, pá!".

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Marcas


As coisas boas da vida também deixam marcas. A amizade saudável, desinteressada e pura que nos unia, ficou cravada em cada um de nós, de diferentes maneiras, mas ficou lá. Lembro-me que era um grupo muito unido e apesar de nem sempre ter acompanhado as vossas andanças e aventuras, por razões que não vale a pena invocar aqui, esse facto fez com que desse grande valor aos Amigos e que talvez por isso me tivesse tornado tão selectiva (no bom sentido, obviamente).

A vida trouxe-me para esta cidade barulhenta e confusa. Aqui vivo e aqui construí o meu caminho. Tenho Amigos, bons amigos. Dos de outrora, mantive apenas contacto com a São, (já não me lembro bem como) inicialmente por carta, posteriormente adáptamo-nos a estas modernices dos mails. Foi através dela que tive conhecimento do livro da Prof.ª Idália e que a partir daqui se deu o nosso reencontro.

Apesar do meu desaparecimento em combate, as recordações permaneceram e a verdade é que através deste blog, do qual também me tornei visita assídua, muitas delas foram como que restauradas, aparecendo as imagens muito mais claras e nítidas.

Ás minhas filhotas tentei transmitir o valor da amizade e fomentei tanto quanto possível o convívio. São talvez por isso muito mais extrovertidas do que eu (ainda bem).